Educar o olhar

Por diversas vezes pessoas perguntam a respeito da fotografia, que querem fotografar desejam saber por onde podem começar, e a pergunta sempre começa assim:”gosto tanto de foto”, “sou apaixonado pela fotografia”, “tenho muita vontade de fotografar”. Tento sempre mostrar que fotografa não é apenas um ato simples, olhar pelo visor e clicar, que hoje se tornou mais simples ainda, você coloca a mão no bolso estende seu braço com o celular na mão e com um simples toque do dedo, uma simples palavra “captura” ou até mesmo um tapinha no seu apple Watch, simples, rápido e não requer habilidade, as vezes só um pouco de elasticidade ou contorcionismo. Lembre-se que a mais de um século na rússia Gorsk precisava de um vagão interiro para fotografar revelar e carregar todo o equipamento.

Brincadeiras a parte a fotografia hoje se popularizou muito, mais que quando a Kodak em 1888 criou a primeira câmera fotográfica compacta! Oferecia ao fotógrafo amador 100 exposições no formato redondo, a máquina era vendida e após as 100 exposições era devolvida a fábrica que revelava as fotos e entregava a máquina com um novo filme de 100 exposições. Os anúncios da época diziam que não era necessário ter conhecimento algum de fotográfica, qualquer um podia usar! George Eastman popularizou a fotografia!

Quase 130 anos depois por incrível que parece, qualquer um, isso mesmo qualquer um, ainda pode fotografar, você não precisa fazer cursos ou ler alguma bíblia para fotógrafos, apenas um Smartphone e espaço na memória do seu aparelho. Não é verdade!

Como nem tudo são flores, o que seria do branco se todos só gostassem do preto? Das rosas se todos só gostassem de tulipas, todos podem clicar, apertar o botão, falar ou dar tapinhas no relógio? Claro?! Será?! Calma gente, todos podem e devem fotografar, não é essa a questão. Mas é  esse o ponto que quero chegar, a fotografia não é só isso, ela é alma, ela é cabeça, ela é coração. O fotógrafo quando observa a cena ele também faz parte dela, o que ele está vendo e está captando faz parte da sua alma, ele tenta coloca-la na foto, ele a deixa ali para ser sentida por quem a vê.

Susan Sontag, em seu livro “Sobre fotografia”, diz:

“Fotografar é apropriar-se da coisa fotografada. Significa pôr a si mesmo em determinada relação com o mundo, semelhante ao conhecimento – e portanto, ao poder.”

Tudo isso constroe-se, forma-se, a partir de conhecimentos, experiências, vivências, leituras, pensamentos sobre fotografia, conhecendo outros fotógrafos de sua época e de épocas passadas, criando um conteúdo:

Fotografar na minha opinião é isso, adicionar conteúdo ao seu conhecimento a sua vivência, alimentar sua alma, seu corpo, seu espírito, se colocar no motivo escolhido, entregar-se, observar, sentir, só a partir dai clicar, isso tudo parece um logo processo, mas com o hábito é igual a aprender uma nova língua, nas primeiras aulas, você pensa “que merda to fazendo aqui”, mas depois quando você sente a evolução, tudo flui, a partir do olhar percorre seu inconsciente corre por todo seu corpo e você clica em uma fração de segundo.

Como dizia Henri Cartier-Bresson:

“Fotografar é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração.”

Até a próxima.

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2 comentários sobre “Educar o olhar

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